Contando com Deus

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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007


bebo do momento
a singularidade

não há cor nessa manhã
circunflexo e preciso o céu é o mesmo

escrevo a prece no chão da minha mente
penso em Deus

há grades e espessa rotina
e um caminho de ventos por onde passeio

há traves e teorias, o resumo de uma festa,
arcos, pontes, casamentos, gruas, gritos, a cidade posta.

É a vida. Sou eu,
garimpeiro teórico, minerador de singularidades, semeador de ventos, salteador de palavras, apenas

um desonerado poeta contra a paisagem, quando tudo está posto e tudo continua...


Sábado, Fevereiro 10, 2007


peça de ficção
a poesia
invento na madrugada
a musa

deveria ser uma princesa
levemente bonita
um sorriso tímido
menina moça mulher
a viajar na fantasia do espelho
a pele acetinada do desejo
e os beijos mais úmidos
com o sabor da última maçã do dia

coisas do sonho
o sonho traz coisas e surpreende
assim como o mar surpreende a praia
perdida de um reino que já não é, de um poeta que distraído
esqueceu-se de partir...

Invento musas,
invento poemas
invento madrugadas
nessa ficção que não sou...


Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007


no filodendro do dia
meus olhos escuros
não buscam o espelho

Atravesso a ponte para o mundo
com minha alma dolorida
cruzo a relva de cinza
a selva de espasmos e ressacas

mas não sou eu
nem meus ossos
nem minha carne
nesses passos que me atraiçoam

no asfalto
o coágulo metálico da cidade
sob um céu úmido
o panteão de chuva e relâmpagos

e desisto
risco o silêncio
meu espaço tem a dimensão dos ventos
devolvo-me ao meu lugar

na tarde, os olhos levemente esverdeados
ela
anjo tímido
bate-me à porta...