Contando com Deus

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O Evangelho Segundo INRI CRISTO

O primeiro capítulo


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Sábado, Julho 29, 2006


ter-se em conta
nesse caminho
o vento pulsa
na pele do desejos.

outros viajaram gritos
morreram antes das manhãs
quando menos havia revolta
na passagem do longo e impreciso dia

não, não necessito que me compreendas
nem quero nenhuma voz ferindo a vitrola
como se o sol claresse o rumo do silêncio
e ainda houvessse lua depois do sono, anunciando a tua partida

Como se houvesse, como se fosse
muito além desse plástico, cimento, fuligem e espanto
dessa praia insólita que recolhe o mar sem pressa,
o coração líquido do mar e sua prece da infinita liberdade...



Quarta-feira, Julho 19, 2006


vida

do pouco que sou
do pouco que fui
nessa viagem
inóspita
silenciosa
crua,
a hesitação, o medo,
a coragem de resistir,
acreditar
brigar
por vagos princípios,
enredado em fantasias,
sombras, cruzes,
luzes,
caminhos de ventos e tempestades,
sem mar
sem recompensa
sem medalha
nesse pouco que sou
nesse pouco que fui

não obstante sou eu
Deus manifestou-se em mim
sou criatura
e trago esse pingo indelével do Criador,
essa aura do sonho cósmico,
homem, demônio, sanguessuga, deus,
o peso da terra, o peso do ar,
a boca gananciosa,
o coração na lama,
solitário
perdido na multidão,
em luta,
em processo,
fugindo do despenhadeiro,
da camisa de pó e angústia,
nessa grande viagem do Criador,
ou mesmo que fosse apenas uma bola do acaso,
não importa,
é a infinita viagem em busca
da luz , da liberdade, da vida verdadeira...

Poema reeditado. Sem poesia, entro em férias...


Domingo, Julho 09, 2006






um tanto metafórico
teórico
gratuito
sem amargo
nessa opacidade triste
infenso à comunhão
ao conluio
ao convívio

cruzo o dia
sem você
com você
no espelho desse imenso deserto
o fulgor dessa solidão
ruas
becos
pó e esquecimento

não sei
junto palavras
e me perco
caminho pelo pátio dessas feridas abertas
e sou eu
camarada impraticável
buscando a mais profunda raiz do silêncio
busco você
e sei que não
sei...

e assim
desço
a avenida movimentada
disperso
calado
traço
passo
o remanso
é a minha vida
o meu tempo
sob o tapete da realidade
sob um imenso sorriso no outdoor
orgânico
mecânico



Quarta-feira, Julho 05, 2006

Ela Canta


Tudo talvez
Pois o talvez existe,
É uma possibilidade dentro da noite,
Mas que caminha no fio do dia,
E é talvez, o incerto
Um tempo que nunca foi,
Um tempo que da memória jamais se apagará,
Talvez
Nessa hora que agora é,
Num palco de extrema conjecturas,
Iluminado por uma lua imensa,
Ela canta, a vida
Ele vive, o sonho...
E o vento é cúmplice,
O espinho é cúmplice,
No caminho de terra e nuvens,
Das pedras que pulsam
Flores que irão brotar,
Ela canta, a vida
Ela, o sonho... ,