Contando com Deus

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INRI CRISTO, livro em andamento.

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Domingo, Julho 15, 2007


destravo
o travo
o desarmado
coração

não há mais luta
nem guerras
nem chuva
o vento mau do destino

eu possuo as janelas
os campos silenciosos ondes crescem flores silenciosas
a minha paz
a minha vasta solidão

E quando eu passar
o meu mundo passará comigo
beberei a mesma água, comerei o mesmo pão
ouvirei a mesma música
e lembrarei da moça de olhos fluídos que nunca existiu

eu sou o meu mundo
eu sou a minha paz.
e a minha história é a história do meu encontro
comigo mesmo....


Sexta-feira, Junho 22, 2007



monossilábico
o meu verso
nessa sonoridade solitária
a vasculhar
as sombras do que não fomos

Mesmo que a canção nos cante
e a manhã se abra ao sol
e na bandeja da noite a lua imensa
insufle as velas da memória
iluminando as sombras do que não fomos



Quinta-feira, Junho 07, 2007


não sei o que é
também não sei
sem inspiração
o ladrão roubado
apenas empilhas palavras
como muros inúteis
na vida baldia
depois que ela

o mundo é assim



Sábado, Maio 26, 2007

dizer
o que dizer
nesse dia
hora noite
quando
pasmo
circunflexo
miro o horizonte
a árvore invisível no silêncio da rua movimentada
apenas

uma poeta
um gorgulho
nas longas pestanas do anoitecer.


Terça-feira, Maio 15, 2007


Conto


água sem palavra,
palavra sem água.

O dia nasce pela metade,
o vento sem notícias

sob o fosco nó
dissidente e seco

Ela se foi e era só um ideograma
de pó, alma de areia e silicio e era

na paisagem, um espelho partido
desmontando a luz seca da primavera...

Depois dos dias, depois das noites
sobraram as palavras escritas, sem água, enterradas na areia.



Poema postado aqui em 2003,


Sexta-feira, Março 02, 2007


torço
retorço a palavra
e nada brota

um vagar no vácuo
um viajar no vácuo
à espreita

sou poeta
vasculho
não importa a extensão do deserto

não tenho sede, nem fome, nem pressa
não tenho
nada

mãos vazias
olhos nus
no vão dessa madrugada...


Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007


bebo do momento
a singularidade

não há cor nessa manhã
circunflexo e preciso o céu é o mesmo

escrevo a prece no chão da minha mente
penso em Deus

há grades e espessa rotina
e um caminho de ventos por onde passeio

há traves e teorias, o resumo de uma festa,
arcos, pontes, casamentos, gruas, gritos, a cidade posta.

É a vida. Sou eu,
garimpeiro teórico, minerador de singularidades, semeador de ventos, salteador de palavras, apenas

um desonerado poeta contra a paisagem, quando tudo está posto e tudo continua...


Sábado, Fevereiro 10, 2007


peça de ficção
a poesia
invento na madrugada
a musa

deveria ser uma princesa
levemente bonita
um sorriso tímido
menina moça mulher
a viajar na fantasia do espelho
a pele acetinada do desejo
e os beijos mais úmidos
com o sabor da última maçã do dia

coisas do sonho
o sonho traz coisas e surpreende
assim como o mar surpreende a praia
perdida de um reino que já não é, de um poeta que distraído
esqueceu-se de partir...

Invento musas,
invento poemas
invento madrugadas
nessa ficção que não sou...


Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007


no filodendro do dia
meus olhos escuros
não buscam o espelho

Atravesso a ponte para o mundo
com minha alma dolorida
cruzo a relva de cinza
a selva de espasmos e ressacas

mas não sou eu
nem meus ossos
nem minha carne
nesses passos que me atraiçoam

no asfalto
o coágulo metálico da cidade
sob um céu úmido
o panteão de chuva e relâmpagos

e desisto
risco o silêncio
meu espaço tem a dimensão dos ventos
devolvo-me ao meu lugar

na tarde, os olhos levemente esverdeados
ela
anjo tímido
bate-me à porta...



Sexta-feira, Janeiro 12, 2007


A jabuticaba branca
não é branca
a jabuticaba branca é verde
quanto mais amadurece
mais verde se torna
e mais deliciosa
verde sob o sol
verde sob a lua
como se o verde frescor o tempo não roubasse
e amadurecesse apenas
o intrínseco sabor
deliciosamente
escorrendo na paixão
trilhos
traves
brisa
a viagem dos eleitos
desse mundo,
a jabuticaba branca....


Terça-feira, Janeiro 09, 2007

eu sou poeta
eu me incomunico dentro dessa caixa
fechada
não há vozes
burburinho
aplausos
passos
etc

eu me incomunico
é a minha poesia...
.............................
.......... e asssim.




Domingo, Dezembro 31, 2006


eu digo não
e a tarde parece uma pedreira
um dia com gosto da noite
amanhecendo sobre os escombros
do que sequer existiu

sabia que poetas não triunfavam
vergavam inúteis sobre os caminhos
os poetas rotundos e incomunicáveis
escavando no silêncio a própria incongruência
assim como eu
e vi, vivi

os meus próprios versos que voavam indefesos na minha alma
eu tenho uma alma velha
uma alma que espia a vida com uma paciência infinita
uma alma que conhece a dor e a chuva, o hálito do sol, o gosto da terra

em toda essa tessitura
quase sem desenho
sem lembrança
um dia que passa,
uma noite que se esquece
sem pressa

poetas não triunfam
poetas não morrem...


Domingo, Dezembro 24, 2006


Deus

Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia,
A branca espuma para o céu sereno.


E eu disse a minha mãe nesse momento:
"Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver de maior do que o oceano
Ou que seja mais forte do que o vento?"


Minha mãe a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: - Um ser que nós não vemos,
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.

Cassimiro de Abreu, 1858

Sábado, Dezembro 09, 2006


digo não
e o silêncio é maior

nessa hora finita
o relógio estrangulado ainda pulsa

eu
no espelho imensurável apenas minha face

apenas...



Segunda-feira, Dezembro 04, 2006




INRI CRISTO em Brasília, na sede da SOUST


Segunda-feira, Novembro 27, 2006


era um torneio de adeus
de tanto adeus
que tudo se foi
o vento, a alma dos papagaios
as tarde sem sombra nem violas
os ecos
os gritos
os jasmins suicidas
os creontes
carmoneus
as pilulugas
e as mandragoras dos jardins do Rei
as falsas virgens
os modrogôes
os capins santos
e os cafajestes do cinema,
a lua,
os planos da indiferença...

na verdade, quase
não há mais nada,
cessou a sinfonia,
cessou a guerra
agora apenas o planeta azul,
esse oceano do desejo
e essa febre, esse influxo na minha alma.


Sexta-feira, Novembro 17, 2006


lúdico
cósmico
ou o quê

sou eu
nesse ofício para o tempo
ufológico
ilógico
real

meu desapego
eu estou no chão
sem coração
no rito dessa passagem
quando em breve, o céu rubro
poderei voar...


Segunda-feira, Novembro 06, 2006

de mim
apenas eu
poeta
quis-me Deus assim

sem plantar nem colher
nem partir nem ficar
tecendo a sombra dessas palavras
no silêncio sem dor

apenas poeta
eco nessa noite ampla
entre os fios da solidão e das aves empoleiradas e quietas...




Domingo, Outubro 29, 2006


INRI CRISTO

Primeiro e Segundo capítulo


Sexta-feira, Outubro 13, 2006


Eu sou a ocasião.
Eu tenho alma e vago pelos meus princípios,
Vago pelos meus escudos, meus mortos, minhas flâmulas, celebrando cada derrota.

Os meus pés marcham por essa realidade inflexível,
Levarei meus fracassos até a última instância
Entregarei a carga completa a Deus e a seu julgamento.

Eu dou meu testemunho, sangro no passeio público
Deixo a fuligem dos meus dedos no coração dessas palavras,
Arranco tuas flores e digo que te amei...

E que você nunca esteve nos meus sonhos,
Esteve na minha realidade.
Eu nunca sonho. Nunca sonhei.


Quarta-feira, Outubro 04, 2006


o que passa
e não passa
mesmo assim não fica

na mão do vento
nada é não
na face ávida do deserto
sem água nem mágoa

mas é manhã
a paisagem ainda respira
e o grito é apenas um eco
o grito é apenas uma passagem.


Sexta-feira, Setembro 29, 2006


Vá, meu amor
leve meu apreço, meu adeus, meu verso
leve essa comunhão silenciosa
o dia que não houve
a noite que não veio
quando não havia mar
não havia jardim
nem saídas
e as ruas eram inúteis
vazias...
Vá, meu amor,
leve meu apreço, meu adeus, meu verso.



Quarta-feira, Setembro 27, 2006




ou
e não
o cromo dessa hora
o dia é uma noite
o dia é uma partida
na noite
ou e
e não
uma fuga
voam os pássaros necessários
a água, o lítio, a guerra
quando não sei o que sou
levado pelo tempo
na prece reticente desse servo
um poeta solitário que espera....


Segunda-feira, Setembro 18, 2006


índigo poeta que manipula as palavras silenciosas
ninguém precisa de um poeta nessa madrugada ainda fria
não há lá fora nada mais que estrelas e a vasta dramaticidade humana,
o sono que vasculha os porões da alma
a porosa contudência do amor
os sonhos que conduzem a procissão de corpos inanimados na fuga diária
o lusco-fusco da vida
o brilho que escapa entre os dedos
no desmanche dessa sombra que vai repousar no seio da terra
antes que tudo se levante no amanhecer
e os automóveis repiquem furiosos
na cidade rangendo sobre as dobradiças
em mais um dia
para o índigo poeta
ordenhador de silêncio
desnecessário
ineficaz
com seus versos e medos....


Quinta-feira, Agosto 24, 2006

Assim falou INRI CRISTO:

"Todos vós, meus filhos, sois espírito. Eu que vos falo sou espírito e falo ao espírito que sois. O corpo que recebestes de vosso PAI Celeste, composto de ingredientes vindos da mãe natureza, é tão somente um veículo que usais para viver, transitar na Terra quando reencarnais. Uns reencarnam a fim de cumprir uma missão dentro dos planos de DEUS, outros para evoluir se já estiverem no caminho da transcendência espiritual e ainda há os que vêm para expiar seus pecados devido à dívida carmática contraída em anteriores encarnações.

A morte não existe, porque o espírito é imortal e é ele quem vivifica o corpo físico. Todos vós desencarnais e reencarnais, ou seja, nasceis e renasceis. O ciclo da reencarnação é o mais belo e perfeito mecanismo da lei divina para a evolução e aperfeiçoamento dos espíritos. A Terra é uma escola onde preparais, purificais vosso espírito até que um dia torne-se digno de reintegrar-se ao CRIADOR, a grande alma da qual emana vossa alma, o grande espírito do qual todos se originaram.

Vosso corpo é um veículo, mas ao mesmo tempo é também uma cela, uma prisão carnal, o cárcere do espírito. Esta cela de que vos falo com o passar dos anos vai lentamente se deteriorando, fenecendo, desvanecendo-se até que o habitante possa libertar-se, desvencilhar-se dela, à exceção daqueles que desencarnam precocemente por estarem devendo uma vida como preconiza a lei do retorno, mais conhecida como lei do carma ou lei do Talião, que sintetizada em duas palavras consiste em ação e reação, ou causa e efeito ("Olho por olho, dente por dente... uma vida por uma vida" Êxodo c.21 v.23 e 24).

Quando reencarnais, cada um de vós, que sois espírito, assume um corpo em formação. Com o passar dos anos, à medida que vos alimentais de forma conveniente, ele cresce e adquire integralmente sua forma. Na juventude buscais viver intensamente, adquiris experiência através de vossos erros e acertos, caminhais por tortuosas, fascinantes e às vezes completamente desconhecidas veredas que a vida põe à vossa frente. Mas é mister que guieis o rumo de vossas vidas fazendo bom uso do livre-arbítrio e não meramente aceiteis que a vida vos imponha um curso a seguir. Vós sois os responsáveis por vossos atos, palavras e pensamentos. Conduzi vossa cela mas não vos conformeis a ser dominados por ela.

Ainda não havendo sofrido a ação do tempo, vós estais retidos, presos à Terra, aos limites de vossos corpos, aos compromissos terrenos, ao apego aos laços da carne e aos bens materiais. Passados os anos, quando já estais amadurecidos, adultos, experientes, enfim, quando o corpo que pensais vos pertencer estiver cansado, envelhecido, inapto a continuar se locomovendo pela avassaladora ação do tempo, lentamente a cela se desvanece para que possais retornar à vossa origem junto ao PAI. Não obstante, não vos é dado por vossa própria conta destruir, prejudicar, romper suas grades; desta forma estaríeis infringindo os preceitos da lei divina. Tendes que esperar pacientemente que o tempo, mesmo em sua aparente lentidão, a corroa, a desvaneça, a desgaste para então poderdes libertar-vos para a liberdade maior. É o momento em que, ao desencarnar, vos livrais da prisão carnal para unir-vos ao PAI Celeste. Há os bem-aventurados que, recebendo o habeas-corpus do Santo Tribunal Celestial por haverem vivido dentro da lei de DEUS, dormem serenamente o sono dos justos e têm um passamento indolor.

E não vos entristeçais ao observar o tempo começando a produzir suas inevitáveis marcas. Contemplai a velhice com serenidade, pois à medida que as grades da cela se desvanecem mais próxima estará a liberdade. O corpo físico reintegra-se à mãe Terra ("Tu és pó, do pó tu foste tomado e ao pó retornarás" Gênesis c.3 v.19) e o espírito volta ao plano cósmico.

Quando vos conscientizardes de que sois prisioneiros de vossos corpos, não vos entristecereis ao avançar da idade. Tão somente, ao adquirirdes as marcas do tempo, mais próxima estará vossa liberdade. O mecanismo da lei divina é tão perfeito que, à medida que o tempo passa, a jovialidade, o vigor da juventude vão se substituindo pela sabedoria da ancianidade, as marcas da idade são compensadas pela sabedoria. Muitos se entristecem ao observar o aparecimento das primeiras rugas no rosto, fazem cirurgias plásticas para recompor as formas da juventude. Tentar amenizar os efeitos do tempo não é pecado. Se assim lhes aprouver, que assim o façam, pois a medicina veio do ALTÍSSIMO ("Toda medicina vem de DEUS" Eclesiástico c.38). Contanto que não prejudiquem o corpo, não estarão pecando, pois pecado é tudo o que fizeres que faz mal a ti ou a outrem. Tudo que fizeres que não faz mal a ti nem aos outros não é pecado.

A beleza é um dom de DEUS, todavia ao compreenderdes que tudo na Terra é passageiro, que o corpo é a cela, o cárcere de vosso espírito, não lamentareis a inevitável passagem do tempo e sim vos regozijareis sabendo que próxima está vossa libertação do invólucro carnal para voltardes à união com DEUS, se assim fordes merecedores, até a próxima reencarnação. Contudo, isto não significa que deveis descuidar, maltratar, negligenciar o cuidado do corpo físico. Ao contrário, tratai-o com amor porque é o veículo concedido pelo SENHOR DEUS a fim de evoluirdes, como já vos expliquei quando proferi a Parábola do Veículo Sagrado. Vosso corpo é o maior bem, a maior dádiva que podeis possuir na Terra. Vosso corpo é o instrumento de vossa alma: a vós é dado usá-lo com discernimento ou irreflexão, fazendo bom ou mau uso do livre-arbítrio.

Eu não sou deste mundo. Estou aqui só de passagem. Tão somente permaneço na Terra quando tenho que exercer autoridade, ao contrário vivo num lugar que não conheceis. De onde vim é muito melhor do que este mundo caótico; lá não existe tempo, porque é eterno, nem limite de espaço, porque é infinito. Só por muito amor vos revelo todas essas coisas da parte de meu PAI a fim de que sejais livres de vossos medos, de vossas angústias, de vossa preocupação com a velhice e a morte. Assim tereis segurança, caminhareis com passos firmes sobre a Terra. Contemplai serenamente o rio da vida que passa incessante por vós, pois assim como ele, vós também estais apenas de passagem."


Quinta-feira, Agosto 10, 2006


inexato
porém avançando pelo amanhecer
essa minha precária história

indiferente os pássaros voam
o céu é azul
a vida

indiferente eu sou
no meio do dia
sombra, sangue, nuvem, asfalto

bendita é a palavra que tudo liberta
bendita é a moça que inventei
bendito é o sonho antes do fim.


Sábado, Julho 29, 2006


ter-se em conta
nesse caminho
o vento pulsa
na pele do desejos.

outros viajaram gritos
morreram antes das manhãs
quando menos havia revolta
na passagem do longo e impreciso dia

não, não necessito que me compreendas
nem quero nenhuma voz ferindo a vitrola
como se o sol claresse o rumo do silêncio
e ainda houvessse lua depois do sono, anunciando a tua partida

Como se houvesse, como se fosse
muito além desse plástico, cimento, fuligem e espanto
dessa praia insólita que recolhe o mar sem pressa,
o coração líquido do mar e sua prece da infinita liberdade...



Quarta-feira, Julho 19, 2006


vida

do pouco que sou
do pouco que fui
nessa viagem
inóspita
silenciosa
crua,
a hesitação, o medo,
a coragem de resistir,
acreditar
brigar
por vagos princípios,
enredado em fantasias,
sombras, cruzes,
luzes,
caminhos de ventos e tempestades,
sem mar
sem recompensa
sem medalha
nesse pouco que sou
nesse pouco que fui

não obstante sou eu
Deus manifestou-se em mim
sou criatura
e trago esse pingo indelével do Criador,
essa aura do sonho cósmico,
homem, demônio, sanguessuga, deus,
o peso da terra, o peso do ar,
a boca gananciosa,
o coração na lama,
solitário
perdido na multidão,
em luta,
em processo,
fugindo do despenhadeiro,
da camisa de pó e angústia,
nessa grande viagem do Criador,
ou mesmo que fosse apenas uma bola do acaso,
não importa,
é a infinita viagem em busca
da luz , da liberdade, da vida verdadeira...

Poema reeditado. Sem poesia, entro em férias...


Domingo, Julho 09, 2006






um tanto metafórico
teórico
gratuito
sem amargo
nessa opacidade triste
infenso à comunhão
ao conluio
ao convívio

cruzo o dia
sem você
com você
no espelho desse imenso deserto
o fulgor dessa solidão
ruas
becos
pó e esquecimento

não sei
junto palavras
e me perco
caminho pelo pátio dessas feridas abertas
e sou eu
camarada impraticável
buscando a mais profunda raiz do silêncio
busco você
e sei que não
sei...

e assim
desço
a avenida movimentada
disperso
calado
traço
passo
o remanso
é a minha vida
o meu tempo
sob o tapete da realidade
sob um imenso sorriso no outdoor
orgânico
mecânico



Quarta-feira, Julho 05, 2006

Ela Canta


Tudo talvez
Pois o talvez existe,
É uma possibilidade dentro da noite,
Mas que caminha no fio do dia,
E é talvez, o incerto
Um tempo que nunca foi,
Um tempo que da memória jamais se apagará,
Talvez
Nessa hora que agora é,
Num palco de extrema conjecturas,
Iluminado por uma lua imensa,
Ela canta, a vida
Ele vive, o sonho...
E o vento é cúmplice,
O espinho é cúmplice,
No caminho de terra e nuvens,
Das pedras que pulsam
Flores que irão brotar,
Ela canta, a vida
Ela, o sonho... ,